Há muitos séculos, numa região longínqua, existiu um grande e sábio guerreiro. Apesar de já não ser muito novo, ainda era capaz de derrotar qualquer desafiante. A sua reputação estendia-se por regiões distantes, para lá das fronteiras do país, e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação.
Certo dia, um jovem guerreiro, muito ambicioso mas com pouca ética, chegou à vila. Estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre guerreiro e a usurpar-lhe a fama e a posição. Este jovem ambicioso, que possuía uma habilidade fantástica para perceber e explorar a mínima fraqueza de qualquer oponente, tinha mentalmente arquitectado uma estratégia traiçoeira para vencer o grande mestre guerreiro: ofendê-lo sucessivamente até que este perdesse a concentração.
Esta estratégia já tinha sido usada pelo jovem guerreiro arrivista noutros duelos e sempre lhe tinha sido eficaz. Desta vez, contra o guerreiro dos guerreiros, ele também confiava na vitória.
Apesar de todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio do jovem guerreiro.
Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre: injuriava-o, atirava-lhe com terra, cuspia-lhe na face, ofendia-o verbalmente com todo o tipo de insolências e maldições conhecidas pela humanidade.
Mas o velho guerreiro, impassível, nem parecia ouvi-lo, concentrando-se apenas naquilo que era importante: a luta que travava.
Ao fim de algum tempo, o guerreiro jovem começou a ficar cansado, por ter de repartir a sua atenção pela luta física e pelas ofensas verbais contra o mestre guerreiro. Por fim, exausto e derrotado, teve de fugir vergonhosamente.
Um tanto desapontados por não terem visto o seu mestre responder à letra ao insolente, os estudantes aproximaram-se e perguntaram-lhe: «Como pode o senhor suportar tantos insultos e indignidades? Por que motivo ignorou tantas calúnias e palavras ofensivas?»
Então o grande e sábio mestre guerreiro replicou: «Se alguém vem para lhe dar um presente e você não o aceita, digam-me, para quem retorna esse presente?»
Conto Zen (adaptado por moi-même)
Nota: conto dedicado a amigos meus da blogosfera, para daqui tirarem as ilações que julguem convenientes.
Publicado por vmar em maio 12, 2004 11:09 PMEspectacular.
Do melhor que tenho visto.
Espectacular.
Do melhor que tenho visto.
Não sabem retirar ilações nenhumas.
Sabem retirar é outras coisas.
Mas nesta história o guerreiro jovem tem um Q.I. normal...
Tem? Não tem?!...
Um abraço céptico,
Francisco Nunes